quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Capítulo Um: Cold Lake, Alberta.

 
Os Wards eram uma família comum, simpática, rica, porém humilde e muito unida. Harry possuía dois irmãos, Henry e Dylan, 17 e 25 anos respectivamente. Seus pais, James e Katherine eram casados há muito tempo e eram radiantes juntos.
Harry era um garoto canadense, branco, magro, de cabelos meio ondulados e curtos pretos, ligeiramente marrons escuros, possuía um par de olhos espantosamente azuis. Era um adolescente inteligente, determinado, solidário, engraçado, ás vezes tímido, curioso, um pouco confuso e amigo.
Henry era dois anos mais velho que Harry, por isso, achava que podia dar ordens a Harry e ás vezes, passar dos limites. Era um adolescente alto, branco, de olhos ligeiramente verdes, cabelos castanhos ondulados e era muito compreensível, embora não mostrasse isso exteriormente.
Dylan, o mais velho, já era formado e já estava trabalhando, nos EUA. Estava namorando há três anos e parecia que ia se casar, mas nada havia sido confirmado. Extremamente inteligente, calmo, lógico, altruísta, e muito bonito. Seus cabelos também ondulados eram tão pretos quanto o asfalto, e seus olhos também eram brilhantes azuis.
Seus pais sempre procuravam manter diálogo com todos, criaram seus filhos muito bem.

Para se começar uma história, é necessário personagens, pois bem. Harry Ward, 15 anos, Canadá. Mais especificamente, Cold Lake, Alberta. Um tanto complicado é descrever-se, por isso, deixarei por conta do raciocínio e percepção do leitor. Moro á 30KM da Universidade de Alberta, não tenho vizinhos – e tenho certeza de que isso é um ponto positivo -, pelo menos, não a menos de 100 metros de distância, existem lá casas exatamente construídas enfileiradas de lados adversos e de tamanhos iguais, tenho alguns amigos lá e tem um restaurante simples. Árvores, pinheiros, arbustos, gramíneas rasteiras, frio, névoas, chuva, lagos e verde são predominantes aqui.

 A minha história começa em minha casa, no inverno de 2005, o clima estava chuvoso, como de costume, frio e abafado. Eram tantas gotas d’água caindo ao mesmo tempo que, uma camada branca e meio transparente se formava, impedindo a visão do outro lado da rua. Como minha casa ficava literalmente no meio do nada, não existiam ruas, só uma placa antiga, desgastada e enferrujada com os dizeres: “Drawtown Village, 1992” ou algo parecido. Sempre me questionei a respeito das origens de tal objeto.

Estava na sala, vendo TV e tentando me concentrar para alguma coisa que acabara de esquecer, quando ouvi um ruído:
- Toc, toc.
E não era a porta.
Estava de férias, quase esgotadas, porém estava. Não era frequente receber muitos amigos em minha casa, já que todos moravam muito longe e não se dariam ao trabalho de vir me ver, talvez eles não gostassem de mim, pena.
Eu, por um reflexo, respondi quase que imediatamente:
- Já vou.
Talvez fosse preferível ficar de boca fechada, meus pais não estavam em casa, estava só e preocupado. Haviam ido lanchar no restaurante á 35 minutos de minha casa, - o que mencionei antes -, e não haviam dado sinal de que voltariam tão cedo. Meu irmão mais velho, Henry, estava dormindo, suas férias se resumiam á descanso.
As cortinas cobriam as janelas e a chuva parecia que nunca ia parar. Eu subi as escadas e entrei na primeira porta do corredor á esquerda, meu quarto, lentamente rastejei-me até a janela, esgueirei-me e puxei a cortina, observei quem estava lá fora. As gotas escorriam pela janela e a visão que eu tinha do andar de baixo não era a das melhores. Pressionei as sobrancelhas e tentei enxergar novamente, havia uma senhora na porta, com um guarda-chuva azul marinho grande e forte.
Então pensei ”Bom, é uma senhora. O que ela pode fazer comigo?”
Eu adorava analisar as situações e pensar sempre no podia acontecer, era meio paranoico (lê-se precavido). Talvez eu devesse chamar o Henry, mas não iria dar-lhe motivos para me insultar de medroso ou maluco.
Desci as escadas ao som do toc toc cada vez mais impaciente, estava ficando assustado e curioso sobre quem era a tal senhora. Cheguei em frente a porta e ficarei parado esperando algum movimento. A porta frontal possuía uma janela de vidro também coberta, me aproximei, respirei fundo e puxei o pedaço de tecido suspenso em uma vara horizontal cuidadosamente. Não havia ninguém lá.
E nos próximos 30 minutos que se sucederam, fiquei pensativo, tentando entender o que era aquilo, uma miragem ou algo real? Uma senhora naquela idade não tinha forma física para sair de lá correndo. O telefone tocou, sete vezes. Algo me disse que só na sétima deveria atender, e o fiz.
- Alô, Harry? Está aí?
- Alô, pai? Pai, onde é que o senhor está? Que demora é esta?
- Alô, filho. Estamos indo só que a pista está interditada temporariamente, parece que alguém foi atropelado por aqui, uma senhora. Que Deus a tenha.
- O-o-o quê? Uma senhora?
- Sim, ela estava passeando pela chuva e o motorista não viu nada e acabou atropelando-a.
- Isso.. é.. terrível. Quanto tempo acha que isso vai durar?
- Eu não sei, talvez mais 2 horas.
- Tudo isso? Tá, tudo bem. Se apressem...
- Iremos, e lembre-se: não abra a porta pra ninguém desconhecido. E onde está o Henry?
- Não vou e o Henry está dormindo, como de costume. Preciso desligar, tchau.
- Ah, acorde-o! Tudo bem, tchau.

A senhora morreu? Mas, o que isso queria dizer, não, não... Existem tantas senhoras aqui em Cold Lake, não poderia ser a mesma, era inadmissível. E se fosse o que aquilo poderia significar? Eu tentei cochilar no sofá esperando pelos meus pais, já eram 17h00, talvez chegassem tarde. Devo ter dormido uns 45 minutos, mas logo acordei. Cocei meus olhos, estava com a vista meio embaçada e meio desequilibrado, mas logo me recompus.
Fui até a cozinha, abri a geladeira e tomei um copo de leite com um pedaço de bolo de chocolate. Fui até o sofá, liguei a TV e estava passando o noticiário da cidade, algo sobre o atropelamento foi comentado, havia um guarda-chuva ao fundo, da mesma cor e de mesmo peso, certamente. A TV ficava em cima de uma mesa de vidro no centro da sala e havia uma janela ao fundo, não estava coberta. Eu vi um vulto.

- Mas um? Por favor, não. – eu disse lamentando e orando para ser algo normal, saudável e que tenha alguma explicação.

Levantei-me, coloquei o copo vazio e o prato sobre a mesa. Com um pouco de medo, fui até a janela. Vi um carro, era o carro dos meus pais, felizmente. A porta estava sendo forçada, eu havia trancado, a chave estava na porta. Fui até lá e destranquei, eram meus pais.
- Finalmente, lar doce lar. Que demora na pista, não?
- Pois é querido, passamos um bom tempo lá. Harry querido comeu alguma coisa? Estou exausta, preciso me deitar..
- Claro mãe, pode ir.
- E eu vou estar na biblioteca, lendo alguma coisa, tudo bem filho?
- Tudo sim. Eu vou... Ler também.
Fomos á biblioteca que ficava no fim do corredor da parte de baixo da casa. Meu pai ficou do lado direito, no computador, lendo e analisando algumas coisas. Eu estava do outro lado, procurando algo sobre “Visões ou espiritismo”, embora eu nada soubesse sobre o que estivesse acontecendo. Não encontrei nenhum livro relacionado, e fui dormir, já eram 23h00. Quando subi até o quarto, meu pai ainda estava olhando algumas coisas no computador e o Henry, dormindo.

Passou-se uma semana, duas e nada mais de esquisito ou inexplicável havia acontecido, o que me deixou tranquilizado. As minhas intermináveis férias estavam chegando ao fim. Meu colégio ficava há alguns quilômetros de minha casa, Henry estudava no mesmo colégio que eu, então, nossos pais iam nos deixar juntos. Estava prestes a entrar na 2ª série do Ensino Médio e meu irmão, 3ª. Faltava uma semana para o começo das aulas.

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